Esse é um Blog coletivo da família Baião

Nele você encontra imagens, vídeos e textos compostos ou compartilhados entre os autores deste Blog.

AFONSO GUERRA-BAIÃO
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    CEMITÉRIO DE PRAGA ALIVE

     

     

     

     

    CEMITÉRIO DE PRAGA ALIVE

     

     

     

             O mais recente romance de Umberto Eco, “O CEMITÉRIO DE PRAGA”, publicado no Brasil em 2011 pela Editora Record, retoma um tema que o autor já havia abordado em ensaios: o da produção de documentos falsos com objetivo de criar mitologias que impregnassem o imaginário e dirigissem a opinião pública contra determinadas entidades ou grupos sociais.

             “Se os mundos ficcionais são tão confortáveis, por que não tentar ler o mundo real como se fosse uma obra de ficção?” – é a pergunta com que Eco iniciou seu ensaio “OS PROTOCOLOS FICCIONAIS”. É a essa questão que ele mesmo responde, agora, em seu sexto romance, fazendo uma releitura ficcional de personagens e fatos verdadeiros do século XIX.  Nele encontramos personagens históricas como Napoleão III, Giuseppe Garibaldi, Eugene Sue, Alexandre Dumas, além de muitos outros personagens menores, mas não menos verídicos, envolvidos na produção de falsificações famosas como os “Protocolos dos sábios de Sião” (dirigidos contra a comunidade judaica, inspirariam mais tarde a política antissemita de Hitler) e o bordereau Dreyfus, por sinal, um judeu.  

             Os falsos protocolos que buscavam difamar os judeus, os maçons e os comunistas no século XIX, recorriam a imagens de forte apelo ao imaginário popular, como missas negras, rituais satânicos, complôs tramados em cemitérios e esgotos, assassinatos de criancinhas. É esse clima folhetinesco que Umberto Eco recupera no romance que tem um único personagem fictício: o protagonista, Simone Simonini. Mas, como diz o editor, na orelha do livro, o único personagem inventado desta história pode até ser o mais verdadeiro de todos, e ser muito parecido com outros que ainda estão por aí.

             De fato, há outros por aí. Se o leitor achar pesado o calhamaço de quase quinhentas páginas do romance de Umberto Eco, ele poderá encontrar na revista Veja denúncias fabricadas pelo editor Policarpo Jr., em parceria com Carlinhos Cachoeira, contra ministros do Governo que seriam entraves às negociatas do bicheiro.

             Ou será que as gravações da Polícia Federal também são falsificações?


                                       (Afonso Guerra-Baião)



    Escrito por postado por baiao às 14h43
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    CONFIRMAÇÃO

     

     

     

    CONFIRMAÇÃO

     

     no dom de cada dia tu afloras,

    é o tom de cada cor que te revela,

    nos sons de toda vida te renovas

    e com as nossas formas te modelas;

    sim, nos sonhos da luz te transfiguras

    e nos domos das trevas te empoderas,

    nos cantos que nos cantam te apuras,

    nos contos que nos contam te espelhas;

    nos templos desses tempos em que choras,

    nos paços dos espaços em que somos

    alcanças ser o ser que em nós mora

    - oh! dá-nos a comer desses teus pomos

    roubados no jardim do paraíso,

    enquanto embriaga-nos teu riso.

     

                                                         (Afonso Guerra-Baião)

          



    Escrito por postado por baiao às 20h58
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    GUIMARÃES ROSA PROIBIDO?

     

     

     

    GUIMARÃES ROSA PROIBIDO?

     

            

    Em sua carta “Sobre o Humanismo”, Heidegger diz que é preciso libertar a linguagem “dos grilhões da Gramática”. Nesse mesmo sentido é que Graciliano Ramos, em suas “Memórias do cárcere”, afirma que começamos oprimidos pela gramática e acabamos reprimidos pela polícia.  Assim também é que, em sua “Aula”, Roland Barthes diz que a linguagem é fascista, não por impedir de dizer, mas por obrigar a dizer de certo jeito, dentro dos limites de normas arbitrárias.

    Para libertar a linguagem da alienação e restaurá-la como “casa do ser”, Heidegger aponta a tarefa transformadora do pensar e do poetizar. É possível realizar essa tarefa, pois, segundo Graciliano Ramos, “nos estreitos limites a que nos coagem a gramática e a lei, ainda nos podemos mexer”. Mas como? Trapaceando com a língua, ensina Barthes: “essa trapaça salutar, esse logro magnífico que permite ouvir a língua fora do poder, no esplendor de uma revolução permanente da linguagem”.

    Na contramão dessa criatividade libertária, vem o projeto de lei nº 1.983/2011, protocolado na Assembléia Legislativa de Minas Gerais pelo deputado estadual Bruno Siqueira (PMDB), que proíbe a distribuição na rede de ensino pública e privada de qualquer livro didático, paradidático ou literário com conteúdo contrário à norma culta da língua portuguesa ou que viole de alguma forma o ensino correto da gramática do idioma nacional.

    Não bastasse se embasar numa concepção do ensino de Língua Portuguesa completamente defasada e obsoleta em relação ao conhecimento científico consolidado na área de Letras e Lingüística, esse projeto de lei é duplamente fascista: além de impor o uso exclusivo da norma culta, ele quer calar as vozes do pensar e do poetizar: afinal um traço comum à vasta  produção literária nacional dos últimos cem anos é exatamente a subversão da norma culta de nossa língua. Ele quer calar as vozes de Guimarães Rosa, Manoel de Barros, Oswald de Andrade, para citar apenas três de uma grande galeria de mestres do pensar e do poetizar, desse exercício libertador que consiste em trapacear com a linguagem.

    Para assinar a petição pública contra o projeto de Bruno Siqueira, acesse   http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2012N23620. Eu já assinei.           

     

     (Afonso Guerra-Baião)



    Escrito por postado por baiao às 11h10
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    A POESIA DE UMA FOTO

    foto de Antonio Inacioo Inacio

     

    A PARTIR DE UMA FOTO DE ANTONIO INACIOO INACIO

     

     

    um passarinho só não tece o pôr-do-sol:

    vai precisar do canto de outros pássaros

    para cruzar tristezas e alegrias

    na tenda em que se casam Noite e Dia;

    vai precisar dos galos de Cabral

    no contraponto de uma cor local;

    vai precisar dos olhos e das lentes

    de Antônio Inácio que nos faz ver (para crer)

    a forma essencial da poesia

     

    (Afonso Guerra-Baião)



    Escrito por postado por baiao às 14h27
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    PASTORAL

     

    imagem: Gary Benfield

     

     

    PASTORAL


     

     tatuar na pétala o gesto de arúspice

    e enredar o caule na teia inconsútil

    tatear os pomos no calor solstício

    e colar os corpos no cio

    comungar os frutos e os sumos

     que somos

    e somar as partes no todo

    e fazer-se o mesmo amor no outro

     

    (Afonso Guerra-Baião)



    Escrito por postado por baiao às 21h03
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    POUR TOI MON AMOUR

     

     

     

    POUR TOI MON AMOUR



    Eu fui aos vendilhões das aves

    E comprei os pássaros

    Para você Meu amor

    Eu fui aos rufiões das flores

    E comprei as rosas Para você Meu amor

    E dos mercadores das gemas

    Eu comprei as jóias

    De puras algemas

    Para você Meu amor

    E então

    Eu fui aos traficantes dos escravos

    E procurei

    Mas não encontrei você

    Meu amor


    ( Jacques Prévert / Afonso Guerra-Baião)



    Escrito por postado por baiao às 09h40
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    BH TEM CARNAVAL

    Os blocos de carnaval em BH, nesse ano, foram animados por marchinhas de sátira política bastante criativas. Uma delas é A COXINHA DA MADRASTA.

     



    Escrito por postado por baiao às 16h20
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    Começa com M , termina com erda, advinha o que é que é?



    Escrito por postado por baiao às 23h14
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    A BALA, O BISCOITO E A FLOR DE LÓTUS

                                                


     

                                                     A BALA, O BISCOITO E A FLOR DE LÓTUS



    Eu me lembro de um tempo em que as formas, as cores e os sabores dos produtos não estavam desvanecidos na entropia promovida pela sociedade de consumo. Dentro desse tempo, minha memória recorta um momento particular em que pedi a minha mãe uma bala; enquanto ela pegava essa bala numa prateleira que, para mim, era alta, eu me sentei a um canto, fruindo o instante de espera; e recordo o sorriso de minha mãe ao me ver ali, quieto, concentrado para o simples e pleno desfrute de uma bala.
    Eu não estava sentado na posição de lótus, mas a imagem dessa postura, própria à prática da meditação, sempre me ocorre junto com a memória dessa cena. Tanto a postura quanto a cena me reconduzem a Thich Nhat Hanh.
    A postura de lótus me reconduz a Thich Nhat Hanh, pois ele é um monge budista vietnamita que conheci através do livro “Vietnã, flor de lótus em mar de fogo”, da Editora Paz e Terra. Entre permanecer meditando no mosteiro ou ajudar seu povo que sofria sob o bombardeio e outras devastações perpetradas pelo exército norte-americano, Nhat Hanh foi um daqueles que escolheram fazer as duas coisas, ajudando a fundar o movimento de “budismo engajado”. No Vietnã ele criou uma organização assistencial de base popular que reconstruiu vilarejos bombardeados, fundou escolas e centros médicos, restabeleceu famílias sem lar e organizou cooperativas agrícolas. No exterior, Thich persuadiu Martin Luther King a se opor publicamente à Guerra do Vietnã, ajudando, dessa forma, a reanimar o movimento pela paz. No ano seguinte, Luther King o indicou para o Prêmio Nobel da Paz e, depois disso, Nhat Hanh liderou a Comissão Budista nas Conferências pela Paz em Paris.
    A cena da bala me permite a intertextualidade com esse texto de Thich Nhat Hanh que encontro agora em seu livro “Paz a cada passo”, da Editora Rocco:
    “Quando eu tinha quatro anos de idade, minha mãe costumava me trazer um biscoito cada vez que voltava do mercado para casa. Eu ia então para a frente de casa e levava um bom tempo para comê-lo, às vezes meia hora ou quarenta e cinco minutos para um biscoito. Eu dava uma mordidinha e olhava para o céu. Depois, roçava o cachorro com meus pés e dava mais uma mordidinha, Eu simplesmente gostava de estar ali, com o céu, a terra, os bambuzais, o gato, o cachorro, as flores. Conseguia agir assim porque não tinha muito com que me preocupar. Não pensava no futuro, nem lamentava o passado. Estava inteiramente no momento presente, com meu biscoito, o cachorro, os bambuzais, o gato e tudo o mais.”         
    E Thich conclui: “Talvez você tenha a impressão de ter perdido o biscoito da sua infância, mas eu tenho certeza de que ele ainda está aí em algum canto do seu coração. Tudo ainda está aí.”       
                          Afonso Guerra-Baião                                          
       



    Escrito por postado por baiao às 19h03
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    BWV 1056

    Kaori Muraji toca Bach com seu címbalo para o concerto do mundo,

    em diálogo harmonioso com a orquestra.




    Escrito por postado por baiao às 14h20
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    As chuvas e suas conseqüências se repetem: a crônica de janeiro pode ser, infelizmente, a mesma do ano passado.

     

                    À MARGEM DAS ÁGUAS

    As águas de janeiro são diferentes das águas de março. Estas fecham o verão e trazem promessas de vida aos nossos corações. Aquelas têm deixado destruição e morte em seu rastro violento. Se é inevitável associar as águas de março à poesia de Tom Jobim, é possível refletir sobre as águas de janeiro a partir de uma estrofe de Bertolt Brecht: “Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém chama de violentas as margens que o comprimem”.
    Quais são as margens que oprimem essas águas, a ponto de elas reagirem com a força de uma tromba-d´água, a fúria de um tsunami? As respostas jorram como enxurrada:
    - as gananciosas barreiras da especulação imobiliária que empurram a população mais pobre para favelas construídas em beiras de córregos e encostas;
    - os insensíveis diques do sistema financeiro que impedem o acesso de setenta por cento dos brasileiros ao financiamento habitacional (barreira que só começou a ser rompida com o programa “Minha casa, minha vida”);
    - os irracionais barrancos que travam o planejamento da ocupação do solo urbano;
    - as altas beiras da omissão dos poderes públicos na formulação de projetos de saneamento básico adequados;
    - os limites extremos de impermeabilização do solo pela malha de asfalto e de concreto;
    - as levianas ribanceiras do consumo exacerbado e da irresponsabilidade ambiental, geradores do excesso de detritos;
    - as burocráticas bordas que dificultam o desenvolvimento de sistemas de informação e prevenção, bem como o treinamento das equipes de defesa civil.        
    Diante das catástrofes anunciadas e dos (agora) evidentes sinais de imprevidência, alguém exclama: “Não posso acreditar que isso seja verdade!”. Acontece que a água nos conduz á dialética do reflexo e da profundeza: nesta nos perdemos para nos sonharmos renascidos em um mundo novo; naquele nos encontramos, como Narciso, face a face com a realidade. Ora, diz Bachelard, “o real não é nunca aquilo em que se poderia acreditar, mas é sempre aquilo em que deveríamos ter pensado”.


                                          Afonso Guerra-Baião          



    Escrito por postado por baiao às 13h45
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    CENÁRIOS DE NATAL

    imagem: Arlindo Daibert

     

     

    CENÁRIOS DE NATAL

     

     

                      O fim de ano traz de volta a questão que fecha o célebre soneto de Machado de Assis: “Mudaria o Natal ou mudei eu?”.  Alguns dizem que mudamos sempre para sermos os mesmos. Somos nós que mudamos ou mudam as circunstâncias? Alguém pergunta: e se Jesus nascesse hoje? Ele, decerto, seria o mesmo: pobre, excluído, perseguido. Mas a cidade seria muito diferente: condomínios fechados, prédios com seguranças, casas com cercas elétricas sobre os muros e nenhuma estrebaria. O presépio teria lugar sob alguma marquise ou debaixo de um viaduto. Não havendo cocho nem palha, o berço seriam caixas de papelão. Na falta do calor dos animais, o fogo aceso em latas por moradores de rua que tomariam o lugar dos pastores. Em vez de ouro, incenso e mirra, o que teriam esses magros substitutos dos Reis Magos para oferecer ao Menino e a seus pais? Um gole de cachaça, um marmitex requentado, uma pedra de crack?  Há quem, para  além desse dramático presépio, compõe um quadro trágico, como o poeta Gabriel Bicalho que vê Maria “na fila do sus / abortando jesus!”. Aqui vamos seguir por cenários mais otimistas: Jesus nascendo em uma barraca, num campo de refugiados mantido pela ONU. O rei Herodes é agora apenas uma figura bíblica, mas existem seus avatares xenófobos. Talvez a sagrada família esteja fugindo com imigrantes ilegais na América do Norte, junto a ciganos e muçulmanos na Europa ou no meio de tribos africanas, para escapar da prisão ou de um serviço completo de limpeza étnica. Pode ser ainda que Jesus cresça na favela e que, não querendo se tornar serviçal dos traficantes, seja um dos meninos a entregar bilhetes de boas-vindas aos soldados que trazem a possibilidade da paz. Ou, quem sabe, Jesus seja um dos alunos da escola do MST que se destacou no ENEM? Talvez, por fim, Jesus tenha vindo morar, adotado, em nossa casa. Ele é “a criança tão humana que é divina”, como no poema de Fernando Pessoa: “é o divino que sorri e que brinca”. Quando assiste ao telejornal ao nosso lado, ele “ri dos reis e dos que não são reis, tem pena de ouvir falar das guerras e dos comércios”. Ele brinca com nossos sonhos, dizendo “que não há mistérios no mundo” e que a vida vale a pena.

     

    Afonso Guerra-Baião



    Escrito por postado por baiao às 15h22
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    TRIO SONATA - BWV 1015

    TRIO SONATA DE J. S. BACH,

    com Zuker, Andon, Ranck e Locker

     



    Escrito por postado por baiao às 15h13
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    LUMENS

     

    Participo com quatro poemas da antologia LUMENS, editada com primor pela Aldrava Letras e Artes. Participam 38 autores de Minas, Rio, S. Paulo e R. G. do Sul, com textos em verso e em prosa. O lançamento foi no dia 10 de dezembro, em Mariana/MG, numa reunião festiva da Academia de Letras do Brasil / Mariana, que contou com a presença da maioria dos autores, com a apresentação do maestro Adilson Garcia da Orquestra de Câmara de BH e da UFMG e das crianças da Academia Mirim.

    Quem quiser adquirir o livro pode enviar email para deialeal@jornalaldrava.com.br

                                                   (Afonso Guerra-Baião)



    Escrito por postado por baiao às 10h22
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    BARCAROLA

     

     

     

    BARCAROLA

     

    “Ondas do mar de Vigo, / se vistes meu amigo?”  ( Martim Codax )

                                   

     ondas do mar amaras

    marinharei as vagas

    até minha amada

     

     

    ondas do mar em fora

    marujarei embora

    até minha senhora

     

     

    ondas de mar a mar

    remarei nas marés

    até quem me quer

     

     

    ondas do mar maior

    aonde irei por mor

    do meu amor

     

     

    marolas do mar sem fim

    navegarei além

    até meu bem

     

    (Afonso Guerra Baião)



    Escrito por postado por baiao às 14h29
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